Assobios, cliques e 'pop': estudo revela como golfinhos de Fernando de Noronha se comunicam
Estudo revela como golfinhos de Fernando de Noronha se comunicam Os golfinhos-rotadores emitem diferentes tipos de sons para se comunicar e interagir. Uma pesquisa realizada em Fernando de Noronha identificou seis padrões de vocalização, entre eles silvos (assobios), sons pulsados, chamados modulados e um curioso “pop” (veja vídeo acima). “O vídeo acima tem silvos, ou assobios, que são uma forma de comunicação mais refinada, com frases. Neles, são identificados os timbres e as assinaturas de cada golfinho. No final do vídeo, aparecem os sons pulsados, que são usados em situações de alerta”, explicou o coordenador do Projeto Golfinho Rotador, o oceanógrafo José Martins. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE Golfinhos de Fernando de Noronha são estudados há mais de 30 anos Projeto Golfinho Rotador/Divulgação O estudo foi realizado pelo Projeto Golfinho Rotador em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Os resultados indicam que a comunicação dos animais é mais diversificada do que se conhecia até agora. Os pesquisadores identificaram seis categorias de vocalizações dos golfinhos. Cinco delas variam de acordo com a frequência do som: Não modulado: mantém a frequência estável. Não modulado/ascendente: começa estável e depois aumenta de frequência. Ascendente/descendente: primeiro aumenta e, em seguida, diminui de frequência. Descendente: apresenta redução de frequência. Descendente/não modulado: começa com uma queda de frequência e depois se mantém estável. Pop: som curto e pulsado, com características diferentes das demais vocalizações. Durante décadas, os estudos sobre a comunicação dos golfinhos se concentraram principalmente nos assobios e nos cliques de ecolocalização, usados para orientação e localização de presas. Já os sons pulsados, associados principalmente às interações sociais, foram menos estudados. Como a pesquisa foi feita Os pesquisadores acompanharam grupos de golfinhos em embarcações. Quando os animais eram localizados, o motor era desligado para evitar interferências. Um hidrofone, equipamento que capta sons debaixo d’água, registrava as vocalizações. Foram 25 horas de observação. Desse total, cerca de seis horas de gravações foram analisadas em laboratório. Os pesquisadores avaliaram características como duração, frequência e intensidade dos sons e classificaram as vocalizações de acordo com os formatos observados nos espectrogramas. Três dos seis tipos identificados representaram quase 75% dos sons registrados. Mesmo assim, nenhum deles predominou completamente, indicando um repertório variado. Para o oceanógrafo José Martins, a descoberta ajuda a compreender melhor o comportamento social da espécie. “Durante muito tempo, imaginávamos que os assobios eram a principal forma de comunicação dos golfinhos-rotadores. Este estudo mostra que existe um repertório muito mais amplo, formado por diferentes tipos de vocalizações que provavelmente desempenham funções específicas nas interações entre os animais. Ainda estamos começando a compreender essa linguagem”, afirmou. LEIA TAMBÉM Para além dos saltos: golfinhos-rotadores contribuem para ecossistema e economia de Fernando de Noronha, apontam pesquisas Diferenças entre Noronha e Havaí Os pesquisadores também encontraram diferenças entre os golfinhos de Fernando de Noronha e populações estudadas no Havaí. Apesar de algumas características dos sons serem semelhantes, os animais de Noronha apresentaram um repertório mais variado em determinadas situações. Uma possível explicação é o modo de vida em cada região. No Havaí, as baías são usadas principalmente para descanso e alimentação. Em Noronha, também são locais de reprodução. “Em Noronha, acompanhamos frequentemente grupos reprodutivos extremamente ativos do ponto de vista sonoro. Conhecer esse repertório ajuda a entender melhor as relações sociais dos golfinhos e amplia nossa capacidade de protegê-los”, afirmou Martins. Uma das descobertas foi a presença de vocalizações durante momentos de intensa interação entre os animais, principalmente em grandes grupos envolvidos em comportamentos de corte e acasalamento. Comunicação e conservação Segundo os pesquisadores, fatores como o relevo do fundo do mar, a disponibilidade de alimento e a organização dos grupos podem influenciar a comunicação dos golfinhos. O monitoramento dos sons também pode ajudar a acompanhar as populações sem interferir no comportamento dos animais. A análise permite identificar padrões relacionados à reprodução, à interação social e ao estresse, além de possíveis alterações provocadas por impactos ambientais e pelo aumento do ruído das embarcações. Para Martins, conhecer a comunicação dos golfinhos é importante não apenas para a ciência, mas também para a conservação. “Quanto mais conhecemos a comunicação dos golfinhos, mais percebemos que eles têm um comportamento social sofisticado”, declarou. Os pesquisadores pretendem ampliar os estudos para ajudar na análise do comportamento dos animais. “Uma certeza já emerge das águas de Fernando de Noronha: o silêncio do mar está longe de significar ausência de conversa”, afirmou Martins. O Projeto Golfinho Rotador foi criado em 1990 e realiza pesquisas e ações de conservação dos golfinhos em Noronha, com apoio do Programa Petrobras Socioambiental. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias M
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