Fiscalização resgata 14 trabalhadores em situação análoga à escravidão em obra no Recife
Fiscalização resgata 14 trabalhadores em situação análoga à escravidão em obra no Recife Catorze trabalhadores foram resgatados em condições análogas à escravidão no Recife, numa operação da Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT), vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A fiscalização foi realizada nesta terça-feira (4), em um alojamento de uma empresa do setor da construção civil no bairro da Imbiribeira, na Zona Sul da cidade. Segundo a Auditoria-Fiscal do Trabalho, os trabalhadores viviam em condições degradantes, com violações aos padrões mínimos de dignidade, saúde, segurança e conforto previstos na legislação trabalhista (veja vídeo acima). ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE O nome da empresa para a qual os funcionários trabalhavam não foi divulgado. Durante a inspeção, os auditores encontraram irregularidades como as seguintes: Dormitórios superlotados; Móveis deteriorados e improvisados; Colchões em más condições; Infiltrações; Cobertura sem forro; Ventilação insuficiente; Instalações elétricas com fiação exposta. De acordo com a Auditoria-Fiscal do Trabalho, a maioria dos trabalhadores é do município de Bom Jardim, no Agreste. Eles permaneciam no Recife durante a semana para trabalhar nas obras da empresa e voltavam às suas casas apenas nos fins de semana,u em parte deles. Em um dos quartos, destinado a seis trabalhadores, havia um beliche improvisado apoiado sobre tijolos, deteriorado por cupins e sem condições adequadas de uso. Alojamento onde trabalhadores foram resgatados no Recife Auditoria-Fiscal do Trabalho/Divulgação Os trabalhadores relataram que precisavam levar de casa roupas de cama, travesseiros, cobertores, toalhas e ventiladores, porque esses itens não eram fornecidos pela empresa. Também disseram que, durante o verão, o calor provocado pela cobertura metálica e a grande quantidade de muriçocas dificultavam o descanso, levando alguns deles a tomar vários banhos durante a madrugada para suportar a temperatura. A fiscalização também constatou que não havia armários para guardar pertences pessoais. Roupas, documentos e objetos eram armazenados de forma improvisada em mochilas, bolsas, cadeiras e pedaços de madeira espalhados pelos dormitórios. Trabalhadores são resgatados em situação análoga à escravidão no Recife Auditoria-Fiscal do Trabalho/Divulgação Na área externa do imóvel, os auditores encontraram entulho, vegetação alta, acúmulo de lixo e pontos de alagamento, condições que favoreciam a proliferação de pragas. O alojamento, segundo os trabalhadores, era frequentemente invadido por ratos, baratas, cupins, formigas e insetos, além de um cachorro que circulava livremente pelo terreno e defecava nas áreas comuns. Nos chuveiros, as irregularidades também eram diversas. Havia apenas dois chuveiros para uso coletivo, e o banheiro utilizado pela maioria dos empregados ficava a cerca de 30 metros de um dos dormitórios, sem acesso coberto, na parte externa do imóvel. Em dias de chuva, alguns trabalhadores evitavam usar banheiro à noite e urinavam no terreno por causa da distância e das condições de acesso. Trabalhadores são resgatados em situação análoga à escravidão no Recife Auditoria-Fiscal do Trabalho/Divulgação Os próprios trabalhadores limpavam os banheiros e todo o alojamento, em sistema de revezamento e fora da jornada de trabalho, sem funcionário contratado para a atividade. A alimentação era fornecida pela empresa, mas não havia espaço adequado para refeições e não havia mesas e cadeiras suficientes para acomodar todos os trabalhadores ao mesmo tempo, obrigando parte deles a comer em locais improvisados. Além disso, a água consumida no alojamento era retirada diretamente da rede pública, sem sistema de filtragem. Água mineral era disponibilizada apenas quando havia interrupção no abastecimento. Legislação Segundo o órgão, o conjunto das irregularidades caracteriza a submissão dos trabalhadores a condições degradantes, com violação de direitos fundamentais relacionados à moradia, higiene, saúde, privacidade, segurança, conforto e dignidade, situação enquadrada como redução à condição análoga à de escravo, conforme o artigo 149 do Código Penal. Após o resgate, os trabalhadores foram retirados do alojamento irregular. Também foram emitidas as guias para habilitação ao Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado, que garante seis parcelas do benefício, além da adoção das demais medidas administrativas cabíveis. A ação contou com a participação do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Federal (PF). Após a caracterização das condições análogas à escravidão, a Auditoria-Fiscal do Trabalho informou que encaminhou relatório ao MPT para adoção das medidas judiciais e extrajudiciais cabíveis. A AFT também lembrou que casos de trabalho análogo à escravidão podem ser denunciados de forma anônima por meio do Sistema Ipê, na internet. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias
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