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Técnicas de enfermagem denunciam que foram vítimas de abuso sexual em dois hospitais públicos no Recife

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07 de Agosto de 2026 às 03:00
5 min de leitura
Técnicas de enfermagem denunciam que foram vítimas de abuso sexual em dois hospitais públicos no Recife

Hospital da Restauração e Hospital Getúlio Vargas, no Recife Arte/g1 Duas técnicas de enfermagem denunciaram casos de estupro em dois hospitais da rede estadual de saúde localizados no Recife. De acordo com a defesa das vítimas, os abusos sexuais foram praticados por dois servidores, também técnicos em enfermagem, e aconteceram em áreas de repouso destinadas aos funcionários das unidades hospitalares. Em entrevista ao g1, o advogado Jefferson Neves, que representa as duas mulheres, afirmou que um dos crimes ocorreu no Hospital da Restauração (HR), no bairro do Derby, no Centro da capital pernambucana, e que o outro caso aconteceu no Hospital Getúlio Vargas (HGV), no bairro do Cordeiro, na Zona Oeste da cidade. Os nomes das vítimas e dos denunciados não foram divulgados. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) declarou que repudia qualquer forma de violência, incluindo importunação e assédio sexual. O governo do estado também afirmou que os dois servidores denunciados foram afastados preventivamente de suas funções nos hospitais (veja resposta mais abaixo). Agora no g1 Além das duas denúncias, Jefferson Neves afirmou que outras quatro mulheres procuraram o escritório de advocacia para novos casos de estupro. No entanto, segundo ele, elas ainda não formalizaram denúncias por medo de perder o vínculo de trabalho. "Mais quatro mulheres procuraram a gente. Elas ainda não decidiram o que vão fazer porque elas são servidoras que prestam plantão extra e temem perder os empregos", disse o advogado. Caso no Hospital da Restauração Hospital da Restauração fica no Centro do Recife Reprodução/TV Globo Segundo Jefferson Neves, um dos casos ocorreu em 2024. Em julho deste ano, o técnico de enfermagem denunciado foi condenado, em segunda instância, pelo crime de estupro. Conforme a defesa, a vítima dormia no repouso destinado aos funcionários quando foi abusada. "O servidor começou com uma massagem nela, ela acordou assustada e disse que não queria. Depois, ela voltou a dormir e quando ela acordou, ele já estava com a boca nos seios dela. Ele foi condenado em regime semiaberto pelo crime de estupro e uma indenização no valor de R$ 10 mil", afirmou Jefferson Neves. O caso ainda cabe recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo o advogado, o prazo recursal ainda não foi encerrado. Na esfera administrativa, a Secretaria Estadual de Saúde instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar o caso. No entanto, segundo a defesa, o procedimento segue sem conclusão, embora o processo criminal já tenha resultado em condenação em segunda instância. "A secretaria não concluiu o processo, e a gente não sabe o porquê. A gente manda e-mail e eles falam que está em andamento e não tem uma conclusão. Levando em consideração que a Justiça tem mais processos e menos juízes, tem alguma coisa errada na administração pública em não concluir esse", disse Jefferson Neves. Caso no Hospital Getúlio Vargas Hospital Getúlio Vargas fica no bairro do Cordeiro, na Zona Oeste do Recife Reprodução/TV Globo O segundo caso denunciado é relativo a março deste ano. Segundo a defesa, a vítima descansava no plantão numa área de repouso destinada aos funcionários do Hospital Getúlio Vargas quando foi surpreendida por um servidor. "Ela estava dormindo e sentiu algo tocando na perna dela. Quando ela acordou, o servidor já estava tocando na parte íntima dela. Ela gritou, vieram outras pessoas, outras testemunhas, e o caso foi registrado na Delegacia do Cordeiro", contou o advogado. Ainda de acordo com Jefferson Neves, embora o hospital tenha áreas de descanso separadas por gênero, o número de vagas é insuficiente para contemplar todos os profissionais durante os plantões. Com isso, alguns funcionários acabam descansando em repousos mistos ou nos próprios setores onde trabalham. "O hospital tem repouso por gênero, mas não comporta todo mundo. O repouso do hospital, por exemplo, Getúlio Vargas, ele fica próximo à emergência. Ele já lota com os funcionários das emergências. As servidoras que estão nos andares, quando descem, não têm vaga. Então elas dormem no próprio setor e no repouso misto", afirmou. Após o registro do boletim de ocorrência, a vítima e testemunhas foram ouvidas pela Polícia Civil. O inquérito, porém, ainda não foi concluído para ser enviado para o Ministério Público de Pernambuco. "Ela já encontrou com ele no corredor, na rua e ela se sente assustada. Ela faz acompanhamento semanal com psicóloga. Então ela tem uma sequela muito grande", disse o advogado. Também segundo a defesa, o servidor investigado foi afastado preventivamente das funções por 30 dias, por meio de portaria publicada em 16 de julho. No entanto, até o momento, não foi informado sobre a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar. "Quer dizer que, [em[ 17 de agosto, ele retorna. A gente não foi notificado sobre PAD, numeração de PAD, nada disso, porque a portaria saiu [em] 16 de julho, eles têm aí que criar o PAD para notificar", disse. O que diz o governo A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco informou, em nota, que: os servidores investigados foram suspensos preventivamente de suas funções nos hospitais; Processos Administrativos Disciplinares foram instaurados e seguem em tramitação; o HR e o HGV têm espaços para repouso separados por gênero; as gestões das unidades intensificaram ações de orientação e campanhas internas de combate à violência contra a mulher, com reforço dos canais de denúncia. O g1 questionou quando os PADs foram instaurados, qual é o prazo previsto para a conclusão dos processos e em que fase eles se encontram. Também perguntou como os investigados tiveram acesso ao local onde estavam as vítimas se os espaços de repouso são separados por gênero, assim como a capacidade desses espaços e do número de áreas de repouso existentes em cada hospital. A Secretaria Estadual de Saúde não respondeu aos questionamentos até a última atualização desta reportagem. ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias
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