Pernambucano perde perna após pisar em mina durante Guerra na Ucrânia
Pernambucano que foi lutar em guerra na Ucrânia perde perna em explosão O pernambucano Erik Antero, de 28 anos, perdeu a perna esquerda após pisar em uma mina terrestre durante a guerra na Ucrânia. Voluntário no conflito há quase seis meses, ele ficou ferido enquanto se deslocava para recolher o corpo de outro combatente. O acidente aconteceu na terça-feira (6). Natural de São Domingos, distrito de Brejo da Madre de Deus, no Agreste de Pernambuco, Erik contou ao g1 que participava de uma missão que envolvia diferentes atividades, como resgate de feridos, retirada de corpos e desminagem de áreas. Ele também sofreu ferimentos nos braços e na outra perna e informou que passaria por três cirurgias. Em um vídeo publicado no Instagram, o combatente aparece deitado em uma cama de hospital e relata que precisou amputar a perna esquerda, abaixo do joelho. Segundo ele, outros colegas também haviam sido atingidos por minas terrestres durante o conflito (veja vídeo acima). “Graças a Deus, tô vivo. Pisei numa mina ontem. Minha perna esquerda já era, filho. Teve que ser cortada. Acho que foi do joelho para baixo, eu nem olhei ainda”, disse. Erik também contou que um dos colegas, conhecido como Colômbia, havia morrido após pisar em uma mina. No dia do acidente, ele seguia para recolher o corpo do combatente quando acabou atingido pelo explosivo. “Por incrível que pareça, ontem eu ia passar pelo corpo dele e ia até remover. Aí nessa ida eu acabei pisando nessa mina. Minha perna foi com Jesus”, relatou. O pernambucano afirmou que, mesmo ferido, conseguiu colocar um torniquete na própria perna para conter o sangramento. Além da amputação, estilhaços atingiram os braços e atravessaram um dos membros. A outra perna também foi ferida. Rotina no conflito Erik Antero fez uma publicação comemorando o aniversário enquanto estava na Guerra da Ucrânia Instagram/@lobo_legionario Por meio das redes sociais, Erik mostra a rotina que vive na Guerra da Ucrânia. A primeira publicação foi feita no dia 11 de junho, na qual ele aparece andando em uma área rural portando um fuzil. No dia 1° de agosto, Erik fez outra publicação informando que estava há 92 dias no conflito. “0.3 meses e 01 dia de Ucrânia, 92 dias de muita loucura e disposição, sem descanso, sem certeza, sem amanhã. Que Deus continue caminhando ao meu lado nessa batalha! Pela glória até o fim”, diz a legenda da publicação. Em 4 de setembro, Erik fez outra publicação comemorando o aniversário de 28 anos. No texto da postagem, ele explicou o motivo de escolher o apelido de “Lobo” e agradeceu a todos que gostam dele. “Sempre fui um lobo solitário, encaro a vida com um sorriso no rosto, hoje completo mais um ciclo 2.8, esse que está no ápice de viver ou morrer, mas eu escolho viver, obrigado a todos que gostam de mim do jeito que eu sou, que, apesar de louco, tenho uma simpatia e humildade que acredito ser raridade, que eu nunca perca minha essência e Deus me proteja de todo mal”, diz a legenda da publicação. Pernambucano pretende voltar ao Brasil Érik Antero é natural de Brejo da Madre de Deus (PE) e se voluntariou para ser soldado na Ucrânia Reprodução/Redes sociais Em entrevista ao g1, Erik afirmou que pretende retornar ao Brasil, mas ainda não tem uma data definida. Antes do acidente, a previsão era voltar ao fim da missão da qual participava. Agora, ele disse que precisa se recuperar dos ferimentos. “Eu iria quando terminasse essa missão, porém agora tenho que me recuperar. Só vou quando eu me recuperar. Aí não tem data para voltar para o Brasil não, mas eu vou voltar, sim”, afirmou. Em outro vídeo publicado nas redes sociais, ele também falou sobre a decisão de deixar o conflito após se recuperar. “Já salvei muita gente, já. Guerreei demais, acabei perdendo um pedaço”, disse. Erik contou ao g1 que decidiu se voluntariar para lutar na Ucrânia porque tinha vontade de seguir a carreira militar no Brasil, mas não conseguiu realizar esse objetivo no país. Segundo ele, a oportunidade de participar do conflito surgiu como uma possibilidade de viver essa experiência. “Me voluntariei porque eu vi a oportunidade, né, de estar no mundo militar, que eu tinha vontade no Brasil, não consegui. E foi uma vontade que bateu em mim. Não sei explicar, tinha que vir, tinha que vir. Se não, eu não conseguia viver comigo mesmo”, relatou. O g1 entrou em contato com o Ministério das Relações Exteriores (MRE) para obter informações sobre o caso, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem. Recomendações No último ano, o governo brasileiro alertou que cidadãos que se alistam para defender exércitos estrangeiros estão expostos a “risco extremo”. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a prática não tem qualquer vínculo oficial com o Brasil e pode trazer consequências graves para quem decide se engajar em conflitos fora do país. Na ocasião, o MVE havia reforçado que não há apoio institucional a brasileiros que participam da guerra na Ucrânia. A recomendação oficial foi que os cidadãos evitassem se envolver em combates internacionais, ressaltando os perigos e a falta de garantias legais. Dos diferentes razões que levam os brasileiros a se alistarem em exércitos estrangeiros, estão a busca por remuneração ou por se identificarem com a causa defendida pela Ucrânia. Também há casos de quem encara o combate como forma de desafio pessoal e busca de adrenalina e aventura.
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